quarta-feira, 28 de maio de 2014

A alegria (ou não) de morar fora!

Desde que somos crianças temos o desejo incessante de sair de casa, acreditamos que a vida seria melhor fora das asas da mãe. Quando somos adolescentes e vemos todos os filmes americanos sobre como é lindo morar sozinha, que iremos morar com uma amiga, que vai ser tudo felicidades, teremos um namorado super gato e um trabalho bacana, acabamos criando mais expectativas ainda, principalmente se moramos no interior ou em cidades pequenas. O desejo se torna maior. E então chega a tão sonhada hora, terminamos o ensino médio e temos uma difícil decisão a tomar: continuar na casa da mãe e arrumar um emprego por lá mesmo ou nos jogarmos na cidade grande e viver num filme hollywoodiano? É claro que escolhemos sair de casa, fazer faculdade, morar com as amigas super legais. É então quando tomamos aquele chá de realidade: nada disso acontece de verdade. Vai ser muito difícil a adaptação, afinal, é normal já que vamos morar com pessoas diferentes de nós, mesmo que tenhamos afinidades, é difícil também na hora de ir no mercado e ver os absurdos que são os preços das comidas, descobrir que aquele chocolate da lacta custa R$5! Não apenas por isso, voltando a parte das pessoas, acho que essa é sem dúvida a que mais vai ser difícil, porque as pessoas não são maleáveis, sempre tem que ser do jeito delas. Eu sou do interior, tive uma educação bem diferente do que as pessoas de cidade grande, fui criada para respeitar  todos, dividir meu lanche ou brinquedo com os coleguinhas na escola, aprendi que sempre devemos dizer "Por Favor" e "Obrigada", não quero aqui falar mal de quem nasceu e foi criado em cidade grande, mas a correria do dia-a-dia de São Paulo, por exemplo, faz com que as pessoas esqueçam desses pequenos detalhes, todos querem entrar correndo no metrô para sentar, sempre um empurra-empurra, todos tem pressa, todos são estressados, as pessoas não sabem mais esperar, o exemplo disso são as buzinas quando o tráfego está intenso. Enfim, voltando ao que eu estava falando, quando vemos que as expectativas não são verdadeiras se torna mais difícil viver longe da casa da mãe. Para mim, através dos exemplos que eu tive, essa expetativa é de completa desilusão, moro hoje com uma amiga que não fala comigo e nem olha para mim, apenas porque eu não "limpei minha parte" da casa ainda, mas hoje eu vivo no céu comparado ao ano passado, e a grande questão pra mim é: ser uma pessoa itinerante? Viver saindo das reps e ir pra outras até encontrar uma que dê certo? Eu não sei, apenas fico comigo e com os meus pensamentos, não quero desistir das coisas por, hoje, realmente acreditar que nem tudo é do jeito que queremos, ou isso seria parte do meu orgulho? O pior é não poder contar para a minha mãe tudo o que realmente acontece, para não deixa-la triste ou preocupada comigo. Resumindo, a história não era pra ser exatamente sobre o meu caso, mas sobre todos em geral, porque eu acredito que isso acontece com muita gente, essa desilusão de você não ser bem recebido na sua própria casa. De você não se sentir em casa.

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