sábado, 31 de maio de 2014

A moral e o suicídio

Hoje fiz meu trabalho final da disciplina de Conhecimento e Ética, o tema era SUICÍDIO, queria compartilhar com vocês, é um tema muito interessante e que eu gostei muito de escrever, afinal é de estudo de várias áreas tentar entender as razões e a moralidade desse assunto, espero que vocês gostem do paper.


A MORAL E O SUICÍDIO
Introdução
“Para algumas pessoas, em determinados momentos da vida, pensar na morte como a única saída para uma situação de sofrimento intolerável, talvez pareça a única solução possível. Quando uma pessoa se sente no limite, de tal forma angustiada, desesperada e sem esperança, é compreensível que considere que prescindir do direito de viver, apesar de constituir uma solução permanente, pareça ser a melhor forma de lidar com uma situação que, naquele momento, é tão avassaladora e dolorosa. É como se sentisse que está perdida num labirinto completamente escuro, como se todos os caminhos que permitem o acesso às portas de saída deixassem de existir, e quem mesmo que tentasse percorrer um desses caminhos, isso apenas resultaria em mais um esforço inútil, pois não só encontraria as portas completamente trancadas, como não teria disponíveis as chaves adequadas para as abrir.” (http://oficinadepsicologia.com/depressao/suicidio)
A moral do suicídio
O suicídio é um tema bastante polêmico, sempre foi. Suicidar-se consiste no ato de tirar a própria vida. É uma ação extrema, por ser terminal. Existem “tipos diferentes” de suicídio, de acordo com suas motivações, sendo eles dois, o ‘suicídio verdadeiro’ que os motivos principais são dificuldades financeiras, problemas com relacionamentos, problemas mentais, há também a ‘eutanásia voluntária’ que é quando uma pessoa que está debilitada por conta de alguma doença ou que essa doença a deixe impossibilitada de exercer suas atividades necessárias, de acordo com a filosofia epicuista, na qual diz que o homem deve evitar a dor e buscar o prazer, e nesse caso o prazer seria a morte, o único meio de não sentir mais dor. Nos dois casos, a situação em que se encontra a pessoa a deixa em estado de extremo desespero, não havendo alternativas para dar fim a seu sofrimento, a não ser sua própria morte.
O tema suicídio é desde sempre tratado entre os filósofos, sendo assunto desde os pensadores mais antigos aos modernos. Para Platão o suicídio é apenas permitido em caso extremo, usando como exemplo o caso de um soldado pego por tropas inimigas, para evitar ser torturado para confessar o que não deveria, nesse caso, o suicídio seria considerado um ato heróico, pois serviu para evitar que algo pior acontecesse. Hume afirmava que os seres humanos decidem sobre a moralidade de suas ações, sendo elas movidas por paixões, suas emoções. Segundo ele, uma ação considerada ética é aquela aprovada por grande parte da população, sendo assim o homem já nasce com uma inclinação para o que é correto e o que é errado.
Immanuel Kant coloca-se totalmente contra tal ação. Afirmando que o homem é egoísta, ambicioso e apenas age para o próprio interesse, porém todo ser humano possui razão, sendo assim todo ato considerado de valor moral deveria ser universalizado, entretanto, o suicídio poderia ser universalizado? Para definir o que deve ser considerado como uma ação moral, Kant estabeleceu três “máximas morais”:
“1. Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da Natureza”. Esta regra afirma a idéia da universalidade das ações consideradas morais, que assim o devem ser para todo e qualquer ser humano em toda e qualquer situação.
‘“2. Age de tal maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca como um meio”. Esta regra afirma o respeito e a dignidade com que se devem tratar os outros seres humanos, que por isso devem ser vistos como um fim e nunca como meios para a obtenção de algo.
“3. Age como se a máxima de tua ação devesse servir de lei universal para todos os seres racionais.” A terceira máxima moral afirma que o ser humano deve sempre agir pensando que suas ações deveriam ser morais o suficiente para serem praticadas por toda a humanidade, ou seja, para que a humanidade viva em um mundo racional ao invés de natural.’ (ÉTICA PARA PRINCIPIANTES, CAP. 11 PÁG. 65 - L. A. PELUSO)
Kant considera imoral uma ação que não obedece a uma dessas três máximas.
Outro ponto de vista importante a analisar para entender a moralidade do suicídio é o dos utilitaristas. O utilitarismo é uma corrente filosófica que surgiu no século XVII, seus dois principais representantes foram Jeremy Bentham e John Stuart Mill. Para eles, a moral é a busca pela felicidade, do praticante e de todos à sua volta, assim todo ser humano vive buscando toda ação que possa lhe proporcionar o máximo de felicidade, evitando tudo o que causa dor, entretanto esse prazer, essa felicidade, não pode ser egoísta.
Partindo desse pressuposto, o suicídio verdadeiro é uma ação imoral. Uma vez que dizer que a morte estará livrando a pessoa de todo o mal, não quer dizer que quem está em volta não sofrerá. Sendo o egoísmo humano demonstrado nessa situação, assim como dizia Kant que o homem é egoísta e apenas se importa com o seu próprio bem-estar, que no caso é a morte, para fugir da dor que o angustia, sendo ela emocional ou física. A interpretação utilitarista é constituída através do fato de que é necessário viver, não é uma escolha nossa.
Há várias razões para chegar a um nível tão extremo a ponto de cometer o suicídio. A pessoa aflita pode ser um estudioso, que conhece o sentido de Nada, estão errados aqueles que afirmam que quem escolhe seguir por esse caminho não possui bases intelectuais. “As Universidades são instituições que se tornam peculiares por essa tensão. É nela que intelectuais experimentam o desespero de, eliminados os preconceitos e as superstições, ter de encontrar razões para viver. Talvez seja por essa razão que as Universidades existem. Elas são agências nas quais o espírito humano busca superar o fato, o destino, que nos impõe a necessidade de existir sem razões necessárias. Talvez intelectuais sejam aqueles que vivem para descobrir razões para viver ou morrer. (...) Ser um intelectual significa perceber que são infundados os preconceitos, as superstições e os horrores que, via de regra, impede o ser humano de praticar as ações autodestrutivas e que são precários os conhecimentos que dispomos e que podem ser razões para viver ou morrer” (L. A. PELUSO, DAS RAZÕES PARA O SUICÍDIO). Existem aquelas razões que são “aceitáveis”, não significando que são aceitáveis por definitivo, como por exemplo, a infelicidade do término de um relacionamento, é compreensível a primeira vista as razões, mas não é totalmente cabível alguém chegar ao extremo por conta de um coração partido.  
Conclusão
Mas se o homem é livre porque é imoral o suicídio? Vários filósofos procuram a liberdade absoluta na vida. O sentido de liberdade do ser humano é muito importante e exerce um verdadeiro fascínio. Quem não quer ser dono do próprio destino? Vemos pessoas exercendo essa liberdade de diversas formas, o suicídio é uma delas.
A pergunta é: suicídio vale à pena? Antes de decidir, não se deve deixar guiar pela situação desesperadora que pode ser temporária e embaça o pensamento, mas pela razão. Então, para filosofar sobre o suicídio, deve-se usar a razão e se indagar se o motivo pelo qual se quer morrer tem algum fundamento, pois nunca é acertada uma decisão tomada no desespero.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A alegria (ou não) de morar fora!

Desde que somos crianças temos o desejo incessante de sair de casa, acreditamos que a vida seria melhor fora das asas da mãe. Quando somos adolescentes e vemos todos os filmes americanos sobre como é lindo morar sozinha, que iremos morar com uma amiga, que vai ser tudo felicidades, teremos um namorado super gato e um trabalho bacana, acabamos criando mais expectativas ainda, principalmente se moramos no interior ou em cidades pequenas. O desejo se torna maior. E então chega a tão sonhada hora, terminamos o ensino médio e temos uma difícil decisão a tomar: continuar na casa da mãe e arrumar um emprego por lá mesmo ou nos jogarmos na cidade grande e viver num filme hollywoodiano? É claro que escolhemos sair de casa, fazer faculdade, morar com as amigas super legais. É então quando tomamos aquele chá de realidade: nada disso acontece de verdade. Vai ser muito difícil a adaptação, afinal, é normal já que vamos morar com pessoas diferentes de nós, mesmo que tenhamos afinidades, é difícil também na hora de ir no mercado e ver os absurdos que são os preços das comidas, descobrir que aquele chocolate da lacta custa R$5! Não apenas por isso, voltando a parte das pessoas, acho que essa é sem dúvida a que mais vai ser difícil, porque as pessoas não são maleáveis, sempre tem que ser do jeito delas. Eu sou do interior, tive uma educação bem diferente do que as pessoas de cidade grande, fui criada para respeitar  todos, dividir meu lanche ou brinquedo com os coleguinhas na escola, aprendi que sempre devemos dizer "Por Favor" e "Obrigada", não quero aqui falar mal de quem nasceu e foi criado em cidade grande, mas a correria do dia-a-dia de São Paulo, por exemplo, faz com que as pessoas esqueçam desses pequenos detalhes, todos querem entrar correndo no metrô para sentar, sempre um empurra-empurra, todos tem pressa, todos são estressados, as pessoas não sabem mais esperar, o exemplo disso são as buzinas quando o tráfego está intenso. Enfim, voltando ao que eu estava falando, quando vemos que as expectativas não são verdadeiras se torna mais difícil viver longe da casa da mãe. Para mim, através dos exemplos que eu tive, essa expetativa é de completa desilusão, moro hoje com uma amiga que não fala comigo e nem olha para mim, apenas porque eu não "limpei minha parte" da casa ainda, mas hoje eu vivo no céu comparado ao ano passado, e a grande questão pra mim é: ser uma pessoa itinerante? Viver saindo das reps e ir pra outras até encontrar uma que dê certo? Eu não sei, apenas fico comigo e com os meus pensamentos, não quero desistir das coisas por, hoje, realmente acreditar que nem tudo é do jeito que queremos, ou isso seria parte do meu orgulho? O pior é não poder contar para a minha mãe tudo o que realmente acontece, para não deixa-la triste ou preocupada comigo. Resumindo, a história não era pra ser exatamente sobre o meu caso, mas sobre todos em geral, porque eu acredito que isso acontece com muita gente, essa desilusão de você não ser bem recebido na sua própria casa. De você não se sentir em casa.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

LEI COMPLEMENTAR N° 140, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011

Primeiramente, é importante citarmos o que é licenciamento ambiental já que
toda a lei se desenvolve nesse assunto. Segundo o texto licenciamento ambiental é
“o procedimento administrativo destinado a licenciar atividades ou empreendimentos
utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou
capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental. O licenciamento
ambiental é um importante instrumento de gestão da Política Nacional de Meio
Ambiente. Por meio dele, a administração pública busca exercer o necessário
controle sobre as atividades humanas que interferem nas condições ambientais”.
As principais diretrizes para a execução do licenciamento ambiental estão
expressas na Lei 6.938/81 e nas Resoluções CONAMA nº 001/86 e nº 237/97. A Lei
Complementar nº 140/2011 discorre sobre a competência estadual e federal para o
licenciamento, tendo como fundamento a localização do empreendimento.
 A lei é reguladora, atribuindo funções a União, os Estados, o Distrito Federal e
aos Municípios, mostrando que todos os entes federados tem o dever de proteger o
meio ambiente e garantir o desenvolvimento sustentável. Todos os entes federados
estão aptos a fazer o licenciamento, desde que estes possuam órgãos competentes
para isso. A lei complementar mostra quais são as ações administrativas da União
(que dentre elas é formular, executar e fazer cumprir, em âmbito nacional, a Politica
Nacional do Meio Ambiente); as ações administrativas do Estado (que dentre elas é
executar e fazer cumprir, em âmbito estadual, a Politica Nacional do Meio Ambiente
e demais politicas nacionais relacionadas à proteção ambiental); ações
administrativas dos Municípios (que dentre elas é executar e fazer cumprir, em
âmbito municipal, a Politica Nacional e Estadual de Meio Ambiente e demais
politicas nacionais e estaduais relacionadas à proteção do meio ambiente); e por fim as ações administrativas do Distrito Federal (que são as ações administrativas dos
Estados e ações administrativas dos Municípios).
O licenciamento é um poderoso mecanismo para incentivar o diálogo setorial,
rompendo com a tendência de ações corretivas e individualizadas ao adotar uma
postura preventiva, mais proativa, em relação aos recursos naturais.


Ciência X Religião

Nos últimos quatro ou cinco séculos a ciência conquistou avanços impressionantes, e através deles a humanidade reescreveu sua relação com o universo, a natureza e consigo mesma. Já as religiões estão presentes há mais tempo, e colaboraram com o desenvolvimento da civilização em diversos aspectos, mesmo que algumas delas tenham em alguns momentos feito exatamente o contrário.
Ao longo de tantos séculos de convivência, a relação entre estas duas grandes forças culturais tem sido tumultuada, complexa e confusa. É preciso considerar de início que ciência e religião possuem métodos diferentes para alcançar seus objetivos. O método científico está fundamentado na razão e no empirismo, enquanto a religião reconhece o valor da revelação, da fé da sacralidade.
Além disso, os objetivos finais de ciência e religião também são distintos, algo que é fosse ignorado na maior parte dos debates a respeito do assunto. A falta de clareza sobre esta diferença é o que dá suporte ao desprezo de uma pela outra.
O objetivo da ciência é a constante construção e organização de conhecimento na forma de explicações e predições a respeito do universo. Este conhecimento parte de evidências empíricas e mensuráveis, que podem ser submetidas a certos princípios elementares da razão.
Já o objetivo da religião é estabelecer uma relação entre a humanidade a espiritualidade, que envolve o desconhecido e o sobrenatural. Para isso, usa um sistema complexo formado por narrativas, símbolos, tradições e rituais que representam ou pretendem explicar o significado da existência humana e as razões da origem e do fim da vida.
Colocadas as coisas desta forma, religião e ciência parecem estar condenadas a serem eternas rivais. Não só seus métodos são inconciliáveis e seus objetivos são distintos, mas o passado desta relação apenas contribuiria para que os defensores de cada lado permaneçam até hoje de armas em punho e dentes cerrados.
Apesar disso, não existe consenso entre os estudiosos a este respeito. Alguns afirmam que a ciência e a religião devem estar necessariamente separadas, como John William Draper com sua teoria do conflito, e Stephen Jay Gould com sua proposta dos domínios não-interferentes.
Outros no entanto, propõem uma interconexão científica e religiosa, como são os casos do eco-espiritualista Thomas Berry, do oponente dos quatro cavaleiros do novo ateísmo John Lennox, e de Ken Wilber com seu movimento integral. De maneira geral, os tipos de interação que podem ocorrer entre ciência e religião vêm sendo classificadas da seguinte maneira:
1. Conflito: religião e ciência são contraditórias e incompatíveis.
2. Independência: religião e ciência são dois campos distintos de investigação.
3. Diálogo: religião e ciência possuem interesses em comum.
4. Integração: religião e ciência podem ser unidas em um único discurso.
Destas quatro classes de relação entre os dois domínios, o conflito acabou se tornando a mais popular, possivelmente por ser a abordagem mais agressiva e apelativa para a mentalidade contemporânea, que passou a rejeitar as religiões por causa da aparente incoerência de grande parte dos dogmas e regras morais religiosas, além da postura suspeita de suas lideranças.
No entanto, o conflito não é a única alternativa, e as outras três classes servem como possíveis soluções para o conflito entre religião e ciência, o que pode ser visto com clareza, desde que seja posta de lado por alguns momentos a sanha proselitista e desapareça o sangue nos olhos dos fanáticos de ambos lados.



Fonte: http://www.sgi.org.br/religioes/solucoes-para-o-conflito-entre-religiao-e-ciencia/

Crianças, infância e cartunistas

Existem poucas formas de humor mais confiáveis e perenes que a mente de uma criança. A maioria dos cartunistas, seres infantilizados que são, sabe bem disso. Mas, quando se dispõem a capitar o espírito tumultuoso dos pequenos, eles quase sempre trapaceiam. Sem pudor, criam não crianças reconhecíveis, mas adultos em miniatura, irritantes e piadistas. Pode-se atribuir isso a indolência, ou falha de memória, mas a maioria das pessoas que escrevem diálogos cômicos para crianças dá mostras de uma surpreendente falta de sensibilidade - ou de fé - em relação ao material que as inspira, isto é, a infância, em toda a sua livre e encantadora exuberância.


Bom dia a todos e boa volta às aulas!


Transgênicos

Transgênicos são qualquer organismo (plantas, animais, bactérias e etc) geneticamente modificado pela engenharia genética, que tenham inseridos ao seu material genético partes do genoma de outro organismo, expressando características que não são suas naturalmente.

As primeiras seleções genéticas se iniciaram com a domesticação das plantas e o domínio sobre a agricultura.Revolução verde ocorre no século XX, buscando aumento da produtividade, através de ações como:
- uso intensivo de agrotóxicos
- pesquisa em sementes
- mecanização do campo
Em 1983 há a criação das primeiras plantas transgênicas. No início dos anos 90 a China começou a usar transgênicos e em 1994 os EUA aprovaram a primeira planta transgênica, o tomate feito pela Calgene. Houve um grande aumento no uso e pesquisa sobre transgênicos a partir disso. Em 1997 chega ao Brasil de forma ilegal a RR, contrabandeada da Argentina, contudo. Já em 2003 foi liberado o plantio de transgênicos no país.
O termo inovação relaciona-se com o desenvolvimento econômico e, para que este ocorra, é essencial que sucedam contínuas inovações, nas quais as criações anteriores são substituídas por novas, num ciclo cujo fator gerador é chamado por Joseph Schumpeter de “destruição criativa”. Tal fato pode ser ilustrado pelo contínuo aprimoramento dos transgênicos, buscando novidades que sejam mais atraentes aos agricultores.
Durante a década de 90 – período em que os transgênicos começaram a ganhar força mundialmente – o Brasil passava por um período de insuficiência de políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias. Dentro desse quadro, percebemos a dificuldade para os nascimentos de investimentos públicos nos transgênicos, sendo estes uma tecnologia recente.
Ao abordar ciência-tecnologia nota-se a influência que esta realiza na interpretação das pessoas em relação ao mundo, de maneira que, transforma a realidade que fora construída por nós e influencia culturalmente nossa maneira de pensar e o nosso comportamento. Podemos, então, observar as mudanças ocasionadas por uma inovação científico-tecnológica, como os transgênicos, que são perceptíveis não apenas no fato de existirem argumentos contra ou a favor, mas principalmente na percepção pública.
Devido à falta de  consenso entre os pesquisadores do ramo, se torna difícil obter uma posição definitiva.O possível envolvimento de pesquisadores com questões econômicas levanta suspeitas a respeito da credibilidade dessas pesquisas.O assunto não se restringe somente aos efeitos médicos e biológicos, mas também aos campos econômico, social, político, ético, entre outros, como a dependência dos agricultores em relação às empresas fornecedoras de sementes modificadas.
Percebe-se tanto na fala dos movimentos pró, como os anti-transgênicos, argumentos apelando para o modelo standard de ciência, sendo que, ao explicar-se as posições contrárias atribuem a esta o caráter ideológico, enquanto em relação aos seus argumentos, classificam estes como científicos. Questões como a produtividade poderiam ser contornadas resolvendo-se questões de logística, como o transporte e armazenamento precários, que são responsáveis pela perda de grande parte da produção. 

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa

O Tempo e a Paciência

Se alguém me perguntar o que é o tempo, declaro logo a minha ignorância: não sei. Agora mesmo ouço o bater do relógio de pêndula, e a resposta parece estar ali. Mas não é verdade. Quando a corda se lhe acabar, o maquinismo fica no tempo e não o mede: sofre-o. E se o espelho me mostra que não sou já quem era há um ano, nem isso me dirá o que o tempo é. Só o que o tempo faz.
Que me sejam perdoadas estas falsas profundezas. Nada em mim se dispunha a coxear atrás do Einstein se não fosse aquela notícia de França: no rio Saône toda a fauna se extinguiu por ação de produtos tóxicos acidentalmente derramados nele, e cinco anos serão necessários para que essa fauna se reconstitua. O mesmo tempo que envelhece, gasta, destrói e mata (boas noites, espelho), vai purificar as águas, povoá-las pouco a pouco de criaturas, até que cinco anos passados o rio ressuscite da fossa comum dos rios mortos, para glória e triunfo  da vida. (E depois casaram, e tiveram muitos afluentes.) - José Saramago - "A bagagem do viajante"