quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ciência X Religião

Nos últimos quatro ou cinco séculos a ciência conquistou avanços impressionantes, e através deles a humanidade reescreveu sua relação com o universo, a natureza e consigo mesma. Já as religiões estão presentes há mais tempo, e colaboraram com o desenvolvimento da civilização em diversos aspectos, mesmo que algumas delas tenham em alguns momentos feito exatamente o contrário.
Ao longo de tantos séculos de convivência, a relação entre estas duas grandes forças culturais tem sido tumultuada, complexa e confusa. É preciso considerar de início que ciência e religião possuem métodos diferentes para alcançar seus objetivos. O método científico está fundamentado na razão e no empirismo, enquanto a religião reconhece o valor da revelação, da fé da sacralidade.
Além disso, os objetivos finais de ciência e religião também são distintos, algo que é fosse ignorado na maior parte dos debates a respeito do assunto. A falta de clareza sobre esta diferença é o que dá suporte ao desprezo de uma pela outra.
O objetivo da ciência é a constante construção e organização de conhecimento na forma de explicações e predições a respeito do universo. Este conhecimento parte de evidências empíricas e mensuráveis, que podem ser submetidas a certos princípios elementares da razão.
Já o objetivo da religião é estabelecer uma relação entre a humanidade a espiritualidade, que envolve o desconhecido e o sobrenatural. Para isso, usa um sistema complexo formado por narrativas, símbolos, tradições e rituais que representam ou pretendem explicar o significado da existência humana e as razões da origem e do fim da vida.
Colocadas as coisas desta forma, religião e ciência parecem estar condenadas a serem eternas rivais. Não só seus métodos são inconciliáveis e seus objetivos são distintos, mas o passado desta relação apenas contribuiria para que os defensores de cada lado permaneçam até hoje de armas em punho e dentes cerrados.
Apesar disso, não existe consenso entre os estudiosos a este respeito. Alguns afirmam que a ciência e a religião devem estar necessariamente separadas, como John William Draper com sua teoria do conflito, e Stephen Jay Gould com sua proposta dos domínios não-interferentes.
Outros no entanto, propõem uma interconexão científica e religiosa, como são os casos do eco-espiritualista Thomas Berry, do oponente dos quatro cavaleiros do novo ateísmo John Lennox, e de Ken Wilber com seu movimento integral. De maneira geral, os tipos de interação que podem ocorrer entre ciência e religião vêm sendo classificadas da seguinte maneira:
1. Conflito: religião e ciência são contraditórias e incompatíveis.
2. Independência: religião e ciência são dois campos distintos de investigação.
3. Diálogo: religião e ciência possuem interesses em comum.
4. Integração: religião e ciência podem ser unidas em um único discurso.
Destas quatro classes de relação entre os dois domínios, o conflito acabou se tornando a mais popular, possivelmente por ser a abordagem mais agressiva e apelativa para a mentalidade contemporânea, que passou a rejeitar as religiões por causa da aparente incoerência de grande parte dos dogmas e regras morais religiosas, além da postura suspeita de suas lideranças.
No entanto, o conflito não é a única alternativa, e as outras três classes servem como possíveis soluções para o conflito entre religião e ciência, o que pode ser visto com clareza, desde que seja posta de lado por alguns momentos a sanha proselitista e desapareça o sangue nos olhos dos fanáticos de ambos lados.



Fonte: http://www.sgi.org.br/religioes/solucoes-para-o-conflito-entre-religiao-e-ciencia/

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